JUSTIÇA

Desembargador Márcio Roberto diz que cogitou renúncia, mas decide retomar atividades no TJAL

Por Redação Publicado em 04/01/2026 às 08:03

O desembargador Márcio Roberto afirmou que chegou a aventar a possibilidade de renunciar ao cargo no Tribunal de Justiça de Alagoas, mas decidiu retomar suas atividades após um período de afastamento e reflexão. A declaração consta de um longo depoimento publicado nas redes sociais, no qual o magistrado faz um desabafo pessoal e institucional sobre o momento vivido.

No texto, Márcio Roberto relata que, ao cruzar novamente os portais do TJAL, carregava consigo “o peso honroso de mais de 44 anos de vida pública” e milhares de manifestações de apoio. Segundo ele, a decisão de retornar foi impulsionada por uma “rede de afeto e propósito”, formada por familiares, amigos, colegas de magistratura e cidadãos que se manifestaram em solidariedade.

Antes de reassumir, o desembargador afirmou ter feito um gesto de humildade e transparência, apresentando desculpas públicas por eventuais apreensões ou inquietações que sua situação possa ter causado. Ele foi enfático ao declarar que a retomada do exercício do cargo não representa recuo ou fragilidade, mas sim um ato de responsabilidade e respeito às pessoas que confiaram em sua atuação ao longo da carreira.

No depoimento, o magistrado também esclarece que chegou a manter a decisão de aposentadoria/afastamento, por dever de lealdade a quem acredita em um Judiciário mais acessível, transparente e humanizado, ressaltando que sua eventual saída não alteraria sua vida pessoal, construída, segundo ele, “apenas pelo trabalho responsável e árduo”. Ainda assim, ponderou que o retorno se impôs diante do apoio recebido e da convicção de que ainda pode contribuir com a Justiça.

Márcio Roberto destacou como princípios de sua atuação a simplicidade, a sobriedade e a sensibilidade social, citando referências filosóficas para afirmar que a grandeza não reside no excesso, mas na retidão de caráter. Reafirmou, ainda, seu compromisso histórico com a defesa dos hipossuficientes e com um Judiciário atento à realidade de quem mais precisa do amparo do Estado.

Ao final, o desembargador agradeceu as mensagens e manifestações de apoio, definindo o retorno como a celebração de uma caminhada coletiva, guiada pela fé na Justiça, pelo compromisso com o povo e pela prevalência do Direito.

Leia na íntegra a manifestação do desembargador:

A CONTINUIDADE DA MISSÃO QUE ME FOI RESERVADA PELO RABI DA GALILÉIA, AMADURECIDO ESPIRITUALMENTE!

Nesta segunda-feira, ao cruzar novamente os portais do Tribunal de Justiça de Alagoas, não retorno sozinho. Carrego comigo o peso honroso de mais de 44 anos de vida pública e milhares de manifestações de apoio, impulsionado por uma rede de afeto e propósito que se tornou meu maior alicerce.

Antes de retomar o curso das decisões, cabe um gesto de humildade e transparência: apresento minhas sinceras desculpas pela apreensão que, ainda que de forma involuntária, possa ter causado. É preciso que se diga com clareza, que esta decisão de retomar o meu desembargo não significa, em hipótese alguma, recuo ou fraqueza de minha parte. Pelo contrário, é um ato de profundo respeito e responsabilidade para com todos aqueles que depositaram em mim suas esperanças e sua fé. Volto atrás em minha decisão de aposentar-me, por um dever de lealdade a quem acredita em um Judiciário mais acessível, transparente e genuinamente humanizado, mormente porque materialmente em nada modificaria minha singela, porém confortável vida, fruto tão somente do trabalho responsável e árduo.

Retorno revigorado pelo apoio inabalável da minha família, pela lealdade dos verdadeiros amigos e pelo encorajamento dos colegas que comungam dos mesmos ideais. Sinto-me honrado pelas manifestações de milhares de alagoanos e brasileiros, que reafirmaram a importância da minha luta histórica em defesa dos hipossuficientes e da Justiça. Em meu gabinete, manterei a singeleza franciscana como uma escolha consciente, tal qual ensinava o estoico Zenão de Cítio: a grandeza não reside no cenário, mas na retidão da alma.

Faço dessa austeridade um farol: não deixar distrair o olhar do magistrado da realidade daqueles que mais precisam de amparo. Meu gabinete no TJAL continuará sendo uma referência de resistência ética e acolhimento. É ali, na solidez do Direito e na sensibilidade social, que a lei se converte em esperança.

Agradeço a cada mensagem e a cada abraço. Esse retorno é a celebração de uma caminhada que fazemos juntos, com os olhos fixos na Justiça e o coração devotado ao povo, e pela prevalência do Direito