Desembargador Márcio Roberto faz desabafo público e anuncia saída do Judiciário alagoano
O desembargador Márcio Roberto Albuquerque publicou, nas redes sociais, um extenso e contundente desabafo institucional no qual anuncia que deixará o Poder Judiciário de Alagoas. O magistrado afirma que sua decisão já está tomada e que aguarda apenas o momento adequado para formalizar o pedido de aposentadoria.
No texto, Márcio Roberto ressalta que se despede da magistratura com o propósito de reafirmar valores que, segundo ele, devem nortear a atuação judicial: urbanidade, reciprocidade, independência e simetria.
Segundo o desembargador, essas premissas precisam ser assentadas de forma “indelével” na condução da atividade jurisdicional e na convivência institucional.
Embora evite citar nomes, o magistrado faz críticas diretas ao ambiente interno do Judiciário, apontando o que classifica como erosão vocacional, exaustão da força laborativa e falta de respeito institucional. Ele relata que, apenas em 2025, seu gabinete julgou quase 20% mais processos que no ano anterior, mesmo diante de condições físicas que considera inadequadas para o exercício da função.
No desabafo, Márcio Roberto também afirma que não pretende disputar espaço, poder ou protagonismo, destacando que sua postura sempre foi de absoluta independência e equidistância, sem se submeter a pressões internas ou externas. “Não me coloco em posição de submissão àqueles que se pretendem donos da verdade, da sabedoria e da própria lei”, afirma.
O desembargador destaca ainda que sua atuação, a partir deste momento, será pautada pela urbanidade protocolar, restringindo o diálogo ao estritamente necessário, até que seja concluído o processo de sua aposentadoria, o que ele espera que ocorra nos próximos dias.
Apesar do tom crítico, o magistrado reafirma respeito à instituição e aos colegas, citando nominalmente o presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas, desembargador Fábio Bittencourt, e a cúpula diretiva do tribunal. Ressalta, contudo, exceções negativas, referindo-se a comportamentos que classifica como “pobres semideuses de gabinete”.
Ao final, Márcio Roberto enfatiza que a toga não deve ser vista como símbolo de divindade, mas como expressão de uma responsabilidade pública temporária. Ele encerra o texto afirmando que partirá “sem levar saudade”, deixando clara sua decepção com parte do ambiente institucional, mas mantendo respeito pelos que, segundo ele, ainda prezam pela humanidade do Direito.