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Cenário externo instável e fiscal interno limitam alta do Ibovespa

O Ibovespa tem dificuldade em defender o nível dos 100 mil pontos retomado mais cedo, principalmente na esteira de ações ligadas a commodities. A abertura em alta moderada das bolsas americanas, seguida de queda, limita o índice Bovespa de avançar mais, após dados fortes de atividade dos Estados Unidos.

As encomendas de bens duráveis dos EUA subiram 0,7% em maio ante abril, acima da expectativa de 0,2%. Em tese, reforça a estimativa de um Fed mais agressivo na condução dos juros, como defendeu a presidente do Fed de São Francisco, Mary Daly, ao considerar outra alta de 75 pontos-base nos juros básicos. Algumas bolsas europeias também passaram a cair.

A valorização do Ibovespa é amparada nas ações ligadas a commodities, apesar do recuo (moderado) do petróleo no exterior. O minério de ferro, por sua vez, subiu 4,17% no porto chinês de Qingdao, a US$ 120,25 a tonelada, em meio a notícias de reabertura de Xangai, após alivio da covid-19.

Nesse ambiente, o índice Bovespa pode reduzir um pouco a queda nesta última semana de junho, quando acumula perda mensal de 10,32%. Na sexta-feira, o indicador da B3 não conseguiu acompanhar com afinco a valorização em Nova York. O Ibovespa subiu apenas 0,60%, fechando aos .98.672,26 pontos, em meio a crescentes temores fiscais, o que continua no radar dos investidores.

Como avalia o economista Álvaro Bandeira, seria interessante o índice Bovespa ultrapassar o nível dos 100 mil pontos para mirar novamente a marca de 103 mil pontos. Assim, explica em nota, o mercado pode adquirir maior tração. No entanto, pondera, o “clima segue tenso com aumento do risco Brasil e o ambiente fiscal, que gera grande preocupação, e o mundo convive com percepção maior de estagflação”, cita.

De acordo com o Itaú BBA, em meio ao cenário mais desafiador para as ações brasileiras, a projeção para o Ibovespa foi reduzida de 115 mil pontos para 110 mil pontos no fim de 2022.

A agenda de indicadores aqui e no exterior é um pouco menos volumosa, o que pode favorecer o cenário um pouco melhor. “Temos notados nos últimos dias e hoje um rali internacional. Ajuda o fato de a agenda ser leve. Todo mundo de olho na reabertura da economia chinesa, o que pode sustentar alta nas bolsas”, descreve em comentário matinal o economista-chefe do BV, Roberto Padovani. No entanto, pondera o economista, no Brasil, há ainda muito ruído em torno do tema dos combustíveis.

Hoje, por exemplo, o governador de São Paulo, Rodrigo Garcia, afirmou que o Estado está aplicando imediatamente a redução da alíquota de ICMS da gasolina de 25% para 18%, o que gerará perdas na arrecadação. O anúncio vem após o presidente Jair Bolsonaro sancionar, na sexta-feira, o teto na cobrança do imposto estadual sobre os combustíveis.

Fica ainda no radar a decisão do presidente Bolsonaro de suspender o reajuste para funcionários da Polícia Federal (PF), Polícia Rodoviária Federal (PRF) e Departamento Penitenciário (Depen) porque outras categorias que não aceitaram o aumento para esses setores do funcionalismo “parariam o Brasil”. Ainda deve ser monitorada nova pesquisa sobre intenção de votos nesta eleição.

A quinta rodada da pesquisa do Instituto FSB Pesquisa, encomendada pelo BTG Pactual e divulgada hoje, mostra que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva continua liderando a corrida presidencial com 43% das intenções de voto, oscilando um ponto porcentual para baixo com relação à mostra anterior de maio, onde pontuou 44%.

Às 10h44, o Ibovespa subia 1,20%, aos 99.852,10 pontos, após subir à máxima aos 100.133,16 pontos, com alta de 1,48%. Petrobras subia em torno de 3%, bem como Vale.

Autor: Maria Regina Silva
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