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Renasce Salgadinho conta com ações para acelerar o desenvolvimento de Maceió

Por Thiago Gomes e Daniel Paulino / Secom Maceió

Um problema ambiental crônico que ofusca as belezas naturais há mais de um século, afugenta o turismo e se transformou em uma enorme – quase intransponível – barreira que impede o progresso econômico e social de Maceió começará a ser resolvido. O prefeito JHC lançou, nesta sexta-feira (3), o programa ‘Renasce Salgadinho’, um pacote de obras que vai mudar a realidade de uma das áreas mais degradadas e impactadas negativamente ao longo dos anos.
Os trabalhos integram a programação do Programa Maceió Tem Pressa, lançado este ano pelo prefeito, que tem como objetivos acelerar o desenvolvimento estrutural da cidade.

Mais de 20 intervenções estão previstas na região. São trabalhos de requalificação ambiental, análise, revisão e consolidação de estudos topográficos, geológicos, geotécnicos e hidrológicos, modernização de vias e ruas, melhorias no sistema de drenagem, de contenção de erosão, de recomposição do Salgadinho, construção de passarelas, sinalização e mudanças no projeto paisagístico. Ações educativas, com palestras, oficinas de reciclagem e outras atividades ainda fazem parte do arcabouço técnico-operacional.

Esgoto que escorre nos cursos de água será direcionado ao emissário submarino. Fotos: Itawi Albuquerque / Secom Maceió

O programa inclui, principalmente, a implantação de jardins filtrantes, tecnologia de baixo custo e de fácil manutenção para tratamento de esgoto. Mas, não é só isso. As obras contemplarão, além do Salgadinho, a requalificação ambiental dos riachos do Reginaldo, Pau d’Arco, do Sapo, Gulandi e Águas Férreas.

Cinco estações elevatórias e oito barreiras de contenção de detritos serão construídas, colocando em prática um dos braços do projeto de saneamento da região. O esgoto que, atualmente, escorre sem limites nestes cursos de água e contamina o mar vai, enfim, ser direcionado ao Emissário Submarino, eliminando o mau cheiro e o rotineiro acúmulo de lixo na foz, em Jaraguá, em dias de grande volume de chuva na cidade.

Paralelos a estes serviços, outras intervenções vão transformar a região e devolvê-la ao maceioense de maneira segura. O programa vai desassorear o Salgadinho e reforçar as paredes do canal com colunas. Ao longo do trajeto, a meta é reurbanizar a área. Por isso, está prevista a criação de travessias, zonas de convívio, com calçadas requalificadas, acessíveis e bem iluminadas, além da pavimentação asfáltica adequada das pistas.

As obras já começaram e podem ser acompanhadas de perto pela população. Um canteiro de obras foi instalado no acesso ao Reginaldo e as tubulações que vão receber as contribuições de esgoto e fazer as ligações entre os riachos que compõem a bacia do Salgadinho estão sendo instaladas na Avenida Gustavo Paiva, que liga a capital ao Litoral Norte.

Marcelo Maia, coordenador da Unidade Gestora do Programa Maceió Tem Pressa. Foto: Itawi Albuquerque / Secom Maceió

O investimento global é na ordem de R$ 76,4 milhões. Os trabalhos estão sendo tocados pelo consórcio DCH, vencedor da concorrência pública, e devem durar 24 meses. Com todas estas ações, o município busca, simultaneamente, a prosperidade socioeconômica, melhoria da qualidade de vida e do meio ambiente, começando a resolver um grave problema ambiental que envergonha a cidade há anos.

“As ações integradas para solucionar os problemas identificados foram planejadas sob os critérios mais adequados para maximizar os benefícios a toda a população da capital, além dos moradores da região e isso está alinhado aos mais modernos conceitos de desenvolvimento urbano em prática atualmente”, explica Jaime Holguín, representante do CAF – banco de desenvolvimento da América Latina, que financiou a reformulação.

Jardins filtrantes – Uma das principais alternativas pensadas de maneira ecologicamente correta são os jardins filtrantes, que consistem em sistemas naturais de tratamento de esgoto compostos por plantas aquáticas e filtros.
“É uma alternativa interessante para tratamento de esgoto pelo seu baixo custo de instalação e operação, e por ser mais ‘sustentável’, tendo em vista que não utiliza produtos químicos. Além disso, a biomassa gerada pelas plantas pode ser reutilizada como adubo e ração animal, entre outras vantagens”, explicou Patrick Leite, gerente socioambiental da Unidade Gestora do Programa Maceió Tem Pressa.

Ele acrescenta que a tecnologia pode gerar diversos benefícios, como recriar um ecossistema mais equilibrado, já que, além dos processos de autodepuração da água, também promove a maior umidade da região, propiciando o desenvolvimento da vegetação e um melhor equilíbrio térmico da cidade.

“O jardim filtrante se torna uma solução eficiente para o aumento de áreas verdes e reciclagem natural de águas cinzas, havendo a possibilidade de criar e expandir jardins onde, antes, não era valorizado. Além de contribuir para a redução da poluição, ele fornece a melhoria na qualidade do ar, reduz os efeitos de ilhas de calor, diminui a poluição sonora local, além de ser uma iniciativa eficiente e sustentável na busca por ambientes limpos e espaços verdes em centros urbanos”, complementou Patrick.

Além da implantação deste mecanismo, as cinco estações elevatórias que serão construídas vão direcionar os efluentes para o Emissário Submarino, dando assim, a destinação correta para o esgoto.

“É um equipamento de suma importância para realizar o bombeamento do efluente que possui dificuldade em passar pelas tubulações, sejam essas muito profundas, ou muito declinadas. Dessa maneira, após o bombeamento, o efluente segue até o seu destino”, explicou.

Também serão implantadas barreiras de contenção de detritos, que, no formato de cortina, devem conter lixo e resíduos ao longo de todo o Salgadinho. “A instalação destas barreiras tem, como objetivo, reter lixos como garrafas pet, sacolas plásticas, vidro, latas de refrigerante e outros objetos que são facilmente encontrados no curso do Salgadinho e, que em dia de chuva, chegam à Praia da Avenida”, ressalta.

O programa ainda prevê a revitalização da orla de Jaraguá, no trecho compreendido entre o Memorial à República e o antigo prédio da loja da TIM; e da Avenida Gustavo Paiva, nas proximidades do campus da Unit, em Cruz das Almas, por onde passa o Riacho Águas Férreas.

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