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Dez coisas que é preciso saber antes de optar por uma cirurgia bariátrica

Por Assessoria

Mudanças de hábitos são essenciais para quem quer ter mais saúde e sair da obesidade

A obesidade é um grave problema de saúde pública, marcada por um acúmulo excessivo de gordura, e tem atingido crianças, adolescentes adultos e idosos de todas as camadas sociais. Somente no Brasil, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2019, uma em cada quatro pessoas de 18 anos ou mais estavam obesas, o equivalente a 41 milhões de brasileiros.

Para a professora do curso de Nutrição da Unit Alagoas, Danielle Alice Vieira, a base do tratamento é a mudança no estilo de vida (alimentação adequada e prática de exercício), porém outros métodos podem corroborar para o emagrecimento como o uso de medicamentos e a cirurgia bariátrica.

“A cirurgia bariátrica está indicada para pacientes com uma obesidade grave, com Índice de Massa Corporal superior a 40 kg por metro quadrado, ou obesidade grau 2 associada a outras comorbidades como diabetes e hipertensão. Dessa forma, a cirurgia não é a primeira linha de tratamento”, explica a docente.

Danielle recomenda que o primeiro passo é tentar emagrecer com a mudança no estilo de vida, até porque mesmo com a cirurgia essa mudança é necessária para a manutenção do peso perdido. “O paciente pós-bariátrica precisa seguir rigorosamente em acompanhamento, já que com o procedimento podem aparecer algumas complicações como deficiências nutricionais”.

A nutricionista lembra que antes de optar por este tipo de cirurgia, é essencial se informar sobre todos os pormenores. Tanto que a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia listou dez informações importantes sobre o procedimento cirúrgico de bariátrica:

1 – Gastroplastia, também chamada de cirurgia bariátrica, cirurgia da obesidade ou ainda de cirurgia de redução do estômago é, como o próprio nome diz, uma plástica no estômago (gastro = estômago e plastia = plástica). Ela tem como objetivo reduzir o peso de pessoas com IMC muito elevado.

2 – Esse tipo de cirurgia está indicada, segundo a OMS, para pacientes com IMC acima de 35 Kg/m² que tenham complicações como apneia do sono, hipertensão arterial, diabetes, aumento de gorduras no sangue e problemas articulares, ou para pacientes com IMC maior que 40 Kg/m² que não tenham obtido sucesso na perda de peso após dois anos de tratamento clínico (incluindo o uso de medicamentos).

3 – Existem três tipos básicos de cirurgias bariátricas: restritivas, mistas e disabsortivas. As cirurgias que apenas diminuem o tamanho do estômago são chamadas do tipo restritivo (Banda Gástrica Ajustável, Gastroplastia Vertical com Bandagem ou Cirurgia de Mason e a Gastroplastia Vertical em “Sleeve”). A perda de peso se faz pela redução da ingestão de alimentos. Existem também as cirurgias mistas, nas quais há a redução do tamanho do estômago e um desvio do trânsito intestinal, na qual há também a diminuição da absorção dos alimentos. As cirurgias mistas podem ser predominantemente restritivas (derivação Gástrica com e sem anel) e predominantemente disabsortivas (derivações biliopancreáticas).

4 – Antes da cirurgia, todo paciente precisa ser avaliado individualmente, devendo ser submetido a uma avaliação clínico-laboratorial que inclui, além da aferição da pressão arterial, dosagens da glicemia, lipídios e outras dosagens sanguíneas, avaliação das funções hepática, cardíaca e pulmonar. A endoscopia digestiva e a ecografia abdominal são importantes procedimentos pré-operatórios. A avaliação psicológica também faz parte dos procedimentos pré-operatórios obrigatórios. Pacientes com doença psiquiátrica grave devem ser tratados antes da cirurgia.

5 – Na maioria dos pacientes, a cirurgia bariátrica, além de levar a uma perda de peso grande, traz benefícios no tratamento de todas as outras doenças relacionadas à obesidade. É possível uma melhora importante ou mesmo remissão do diabetes, do controle da pressão arterial, dos lipídios sanguíneos, dos níveis de ácido úrico e alívio das dores articulares.

6 – Do ponto de vista nutricional, os pacientes submetidos à cirurgia bariátrica deverão ser acompanhados pelo resto da vida, com o objetivo de receberem orientações específicas para elaboração de uma dieta qualitativamente adequada. Quanto mais disabsortiva for a cirurgia, maior a chance de complicações nutricionais, como anemias por deficiência de ferro, de vitamina B12 e/ou ácido fólico, deficiência de vitamina D e cálcio e até mesmo desnutrição, nas cirurgias mais radicais. Reposições vitamínicas são feitas após a cirurgia e mantidas por tempo indeterminado. A diarreia pode ser uma complicação nas cirurgias mistas, principalmente na derivação biliopancreática.

7 – A adesão ao tratamento deverá ser avaliada, pois alguns pacientes podem recorrer a preparações de alta densidade calórica e de baixa qualidade nutricional, que além de provocarem hipoglicemia e fenômenos vasomotores (sudorese, taquicardia, sensação de mal-estar), colocam em risco o sucesso da intervenção em longo prazo, reduzindo a chance do indivíduo perder peso.

8 – A cirurgia bariátrica é um procedimento complexo e apresenta risco de complicações. A intervenção impõe uma mudança fundamental nos hábitos alimentares dos indivíduos. Portanto, é primordial que o paciente conheça muito bem o procedimento e quais os riscos e benefícios da cirurgia. Além das orientações técnicas, o acompanhamento médico, nutricional, psicológico e o apoio da família são aconselháveis em todas as fases do processo.

9 – Em pacientes que apresentaram uma perda de peso muito grande, uma cirurgia plástica para retirada do excesso de pele é necessária. A mesma poderá ser feita quando a perda de peso estiver totalmente estabilizada, ou seja, depois de aproximadamente dois anos.

10 – Mulheres que realizam cirurgia bariátrica devem aguardar pelo menos de 15 a 18 meses para engravidar. A grande perda de peso logo após a cirurgia pode prejudicar o crescimento do feto.

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