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A mulher que driblou a depressão com lives caseiras

Aos 13 anos, Débora Costa e Silva começou a cantar e a tocar violão. Ela participava de grupos de percussão, corais, bandas e chegou a se apresentar em alguns bares. “Mas depois que comecei a trabalhar, fui parando e deixando a música para trás”, lembra a copywriter (profissional que produz textos de marketing digital). E quantos sonhos e desejos abandonamos no meio do caminho por necessidades impostas pela vida?

Pouco mais de duas décadas depois, ela resgatou o amor pela música para driblar a depressão na pandemia de covid-19. Em outubro, ela lançou o single Resistir, inspiração após série de lives caseiras que fez com amigos durante o isolamento social.

Em março de 2020, a jornalista, de 35 anos, entrou em home office. Bateu o medo de morrer, de perder as pessoas. “Parecia que o mundo estava acabando. Isso me deu uma sensação de urgência de viver. Pensei: ‘Daqui a pouco posso morrer e eu não estou fazendo aquilo que mais gostava de fazer’. Comecei a me arriscar, fazendo vídeos primeiro e depois lives”, diz.

Débora decidiu organizar transmissões ao vivo, caseiras, com amigos nas redes sociais. Nos vídeos, voz e violão eram parceiros fiéis, mas os cenários variavam entre sala e varanda do apartamento. “Foi uma forma de encontrar motivação, de me divertir. A vida tinha virado somente trabalho e isolamento. E, de repente, as lives se tornaram um motivo para viver, me realizar, ter um pouco de alegria. Foram superimportantes para me manter bem e sã”, ressalta.

Nas primeiras apresentações, ela escolheu repertórios nostálgicos, que misturavam pop nacional, pagode e MPB, além de divas internacionais como Madonna e Shakira. Uma das lives, em junho de 2020, foi intitulada como Bailinho da Débora. Era uma alusão aos antigos bailes em que os jovens dançavam com a vassoura, caso não conseguissem um par na pista.

Em um post no Instagram, Débora brincou: “Gente, no sábado, farei mais uma live, dessa vez só tocando aqueles hits internacionais românticos que todo mundo já ouviu no elevador, mas tem vergonha de admitir que gosta”.

As apresentações, transmitidas pelo Instagram, Facebook e YouTube, começaram a se destacar pela linguagem divertida e interação com os internautas e amigos.

Aos poucos, Débora foi perdendo o medo: “Acho que foi minha tábua de salvação, porque eu via muitos amigos entrando em depressão. Ocorreu comigo o contrário. Eu ficava ensaiando para as próximas lives e usava meu tempo livre, em vez de ficar com medo, em depressão, para pensar nos projetos, que viraram uma fonte de alegria”.

As lives temáticas inspiradas em canções de Marisa Monte, Rita Lee e Cássia Eller, esta última com 350 views, foram as de maior audiência e engajamento. Conexões instáveis de internet e tempo limitado de transmissão não a desanimaram. Eventuais desafinações também não foram capazes de tirar a confiança de Débora, que encontrou energia também para compor músicas próprias.

Resistir, o primeiro single profissional gravado por ela, é fruto desse período de pandemia. “Por estar mais tempo em casa e sozinha, eu me dei a permissão de criar mais. Por ‘travas’ minhas, não conseguia me soltar, fazer coisas próprias. Nunca tinha pensado que iria conseguir, pois sempre toquei música dos outros. Ao longo desse tempo, fui maturando a ideia de gravar”, afirma.

GRAVAÇÃO

No trabalho de estúdio, Débora contou com a ajuda da professora de canto Vivi Rocha, que explicou o passo a passo para ela de como gravar um disco. Além disso, ela chamou um amigo, que é fotógrafo, para registrar o “making of” da gravação. “Eu banquei tudo: a produção musical, os profissionais, as fotos e os vídeos. Foi um dia muito legal.”

Todos os envolvidos na produção passaram por testes de covid. O resultado do esforço é uma bela composição estética que combina cores, iluminação, algumas falas de bastidores e, claro, música boa, feita com amor.

Cantar e tocar, agora, é um caminho sem volta para Débora, que pretende lançar um EP em 2022. “O single foi mais uma forma de registrar e tornar pública essa música. Não tenho pretensão de investir na carreira artística como principal fonte de renda, nada disso. É um hobby que levo a sério. Pretendo gravar outras músicas que já escrevi para lançar um EP no ano que vem. Mas sem pretensão de tocar em rádio, nada disso”, afirma. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Autor: Camila Tuchlinski
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