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Trinta e dois anos depois da morte, Luiz Gonzaga inspira artistas e atletas que o divulgam até em japonês nas Olimpíadas

Por Redação com Daniel Móvio

O Rei do baião reina mais do que nunca

Sanfoneiro pernambucano, que nasceu em Exu, fez história no forró. Em mais de 50 anos de carreira, Rei do Baião gravou mais de 600 canções e vendeu 10 milhões de discos.

Para cantores como Beto Hortiz, Gonzaga abriu caminho para vários artistas nordestinos que hoje cantam a saudade. “Ele não vai acabar e vai permanecer de pai para filho. Sou neto de sanfoneiro e herdei isso, escutando Luiz Gonzaga através de meu avô. Isso vai continuar por muito tempo”, diz.

Para os dias de saudade, Luiz Gonzaga deixou um pedido simples. “Gostaria que lembrassem que eu sou filho de Januário e Dona Santana. Gostaria que dissessem que esse sanfoneiro amou muito o Sertão. decantou as aves, os animais, os padres, os cangaceiros, os retirantes. Decantou os valentes, os covardes. Decantou, também, amor.”

Vários artistas cultuam sua obra. Na última semana, em plena Olimpíada de Tóquio, ninguém jamais imaginou ouvir um clássico de Luiz Gonzaga em japonês.

Bom, para a surpresa de muitos, essa mistura inusitada aconteceu e foi registrada pelo jornalista pernambucano André Gallindo, que está no Japão para cobrir as Olimpíadas.

Em um vídeo publicado em sua conta do Twitter, o repórter diz que já está sentindo falta de um forró depois de seis dias no Japão e começa a cantar “Qui Nem Jiló”, do rei do baião Luiz Gonzaga. Logo em seguida, ele começa a filmar uma mulher cantando a icônica música em japonês.

Quem aparece no vídeo que rapidamente viralizou é Masako Tanaka. Segundo o jornalista, ela nasceu em Kobe no Japão e atualmente mora no Brasil e é apaixonada pela música do Rei do Baião.

 

Um pequeno retrato da vida e carreira de Luiz Gonzaga

Luiz Gonzaga do Nascimento nasceu em Exu (Pernambuco), em 13 de Dezembro de 1912 e é conhecido como o rei do baião. É umas das maiores figuras da música brasileira e nordestina .

Gonzaga era filho de Ana Baptista de Jesus Gonzaga Januário e José dos Santos do Nascimento. Foi batizado na matriz de exu em 5 de janeiro de 1920. Seu nome Luiz foi escolhido porque no dia 13 de dezembro é dia da festa de Santa Luzia.

Seu pai era roceiro e sanfoneiro e trabalhava em um latifúndio. Gonzaga apreendeu com seu Pai nas horas vagas a tocar acordeon; seu pai também consertava instrumentos musicais naquela época.

Muito jovem Luiz começou a tocar em bailes, festas e feiras da região, acompanhando seu sai nessas folias, mas também era convidado para se apresentar individualmente.

Mesmo seguindo para o sudeste do Brasil, manteve o pé em suas culturas e continuou levando o forró. Por algumas desilusões amorosas, Luiz Gonzaga foi para Fortaleza (Ceará), onde ingressou no exército em julho de 1930.

Lutou no sertão nordestino, combatendo cangaceiros, coiteiros e coronéis. Apesar disso, alimentou grande admiração pelo líder dos cangaceiros, Virgulino Ferreira, o “Lampião”, passando a adotar uma vestimenta inspirada nele ao se profissionalizar como músico. Durante quase  9 anos ele viajou o Brasil como soldado, sem sequer dar noticias a sua família. Foi no Exército que ele conheceu Domingos Ambrósio, também conhecido como um excelente acordeonista.

Sua primeira gravação veio como acompanhador da dupla Genésio e Januário, e ainda gravou para mais dois artistas em 1941. Foi no Rio de Janeiro que ele encontrou seu parceiro musical Humberto Teixeira, com o qual trabalhou junto entre 1947 e 1952. Outras parcerias notáveis foram com o médico Zé Dantas, que rendeu 46 composições, entre elas “A Dança da Moda” e “O Xote das Meninas”, e com João Silva, que rendeu mais de 30 musicas .

Em 11 de abril de 1945, gravou sua primeira música como cantor nos estúdios RCA Victor. Com a chegada da bossa nova, Luiz perdeu um pouco de seu espaço, mas não o respeito que tinham pelo seu trabalho.

O também cantor e compositor Gonzaguinha era seu filho, mas os dois não tiveram uma boa relação. Só se aproximaram quase no fim da vida de Luiz Gonzaga, que faleceu em 2 de agosto de 1989 de uma parada cardiorrespiratória, em Pernambuco.

Estátua de Luiz Gonzaga na feira de São Cristóvão. Uma homenagem ao rei

O Rei do Baião nos deixou sua obra e hoje recebe várias honrarias, sempre lembrado por suas músicas fantásticas, que nos levam ao berço da cultura e dos costumes do nordeste. Foi tema do carnaval de rua do Rio de Janeiro no ano de 2012 e no mesmo ano os Correios Brasileiros fizeram uma série de selos postais em sua homenagem. Um dos maiores nomes da cultura brasileira e da cultura popular. Prezemos pela cultura e costumes de nosso País, pois o forró e sua diversidade são maravilhosos.

 

Elba Ramalho e Fagner se juntam em disco em homenagem a Gonzagão

Nascidos na nação musical nordestina fundada nos anos 1940 por Luiz Gonzaga (13 de dezembro de 1912 – 2 de agosto de 1989), cantor, compositor e sanfoneiro pernambucano que se tornou o principal difusor do baião e dos outros gêneros musicais da região, a paraibana Elba Ramalho e o cearense Raimundo Fagner se juntam para mais uma celebração da obra matricial de Gonzaga.

Elba Ramalho e Fagner, em estúdio, arquitetam o primeiro álbum em dupla

Os artistas preparam disco em dupla com abordagens do repertório de Gonzaga. É a primeira vez que os dois cantores gravam álbum juntos.

“Como discípulos de Luiz Gonzaga, eu e Elba Ramalho estamos preparando uma homenagem ao mestre Lua”, anunciou Fagner nas redes sociais do cantor.

Cabe lembrar que as discografias de Elba e Fagner já incluem álbuns voltados para o repertório de Gonzaga.

Em 2002, a cantora lançou Elba canta Luiz, álbum cujo show de lançamento gerou em 2003 o CD ao vivo e DVD Elba ao vivo, ambos com repertórios também centrados no cancioneiro do compositor.

Já Fagner teve o privilégio de gravar nada menos do que dois álbuns com Lua. Luiz Gonzaga & Fagner foi lançado em 1984. Já Gonzagão & Fagner 2 saiu em 1988.

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