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Dia dos Avós encontra “velhinhos” cada vez mais antenados no mundo

Por Anna Sales e Mariana Lima

Esta segunda-feira, 26 de julho, é o Dia dos Avós e as comemorações são as mais diversas, desde um almoço especial com mesa farta, até mesmo bater uma bolinha com a avó ou esperar o avô terminar a aula na faculdade para uma caminhada na praia. A sociedade brasileira está ficando mais velha, porém com idosos mais ativos, adeptos de atividades físicas e mentais que fazem alguns vovôs e vovós colocarem muitos jovenzinhos para trás.

Iracema e neto (foto: Arquivo Pessoal). Mais do que perfis diferenciados de avós, o envelhecimento ativo produz uma geração de adultos e idosos mais saudáveis e presentes na vida dos netos. 

Alguns avós até mesmo não se encaixam no modelo atribuído. Avó de Miguel, de 3 anos, a jornalista Iracema Ferro tem na agenda trabalho, igreja, academia e não vê a hora de poder voltar à vida social normal, após a pandemia. Por isso ela não acreditou quando descobriu que seria avó, pois o conceito do etarismo estava muito presente nela.

“Ainda há pessoas que acreditam que para ser mãe e avó, a mulher tem que parar a vida. Com neto ainda é pior, pois esperam uma postura ainda mais conservadora, resguardada, da senhora de antigamente. Mas eu sempre tive posição muito firme dentro do que eu acredito, então, mantive minha rotina, meu jeito de ser. Gosto de festas, frequentar academia, tenho um estilo jovial de me vestir”, relata.

Mãe aos 21 e avó aos 40, Iracema fala que a melhor coisa da vida ativa que leva é ter energia e disposição para acompanhar Miguel. Jogar bola, entrar em piscina de bolinhas no shopping, colocar no ombro num show infantil são coisas que ela nunca esperou viver como avó, mas vive hoje com muita alegria.

“Ser avó é conhecer o melhor dos mundos, porque você tem a leveza de ter uma criança que faz parte da sua vida e é sempre revigorante, aquece o coração e alegra a alma. Por outro lado, não há a responsabilidade de ser mãe, é um amor mais desprendido. Além de poder ver a minha descendência e participar da vida do Miguel”, conta Iracema.

Há quem ache o exemplo fora de medida, pois Iracema “é muito nova”. A Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) diz o contrário e que a jornalista, mesmo longe de ser idosa, está dando o primeiro passo para um envelhecimento ativo. Aqui, não se busca apenas aumentar a expectativa e qualidade de vida para as pessoas que estão envelhecendo, mas manter uma participação contínua nas questões sociais, econômicas, culturais, espirituais e civis.

“É importantíssimo manter a mente e o corpo ativos durante toda a vida, não podemos parar quando ficamos mais velhos ou achar que já passou o tempo e não há mais nada a fazer. Inclusive já temos estudos sobre essa ociosidade após a aposentadoria e o impacto no desenvolvimento de doenças crônicas e alguns transtornos mentais, como a depressão, pelo choque que o idoso tem de ter sido ativo ao longo de toda a vida e agora se encontrar parado”, explica a assistente social e professora de Medicina Flávia Melro, que encontra muitos casos assim no Projeto Telelongevidade do Centro Universitário Tiradentes (Unit/AL), onde oferece apoio e interação remota gratuitos a idosos de todo o estado.

Avô aluno

“O processo de viver foi modificado. Antigamente, as pessoas viviam uma vida breve. Na Idade Média, 30 anos era muito e hoje já é possível atingir 90 anos de idade com lucidez sem muito esforço, basta que tenha saúde. E nessa oportunidade de uma vida melhor e maior, você pode interagir mais e passar para as gerações que ficam ensinamentos que eles só poderiam ver e ouvir de pessoas que estão ao lado delas”, defende Astrolábio Lima, estudante do 4º período de Psicologia, com 62 anos de idade e netos com quem ainda quer conviver por muito tempo.

Astrolábio e neta (Foto: Arquivo pessoal)

Como ele mesmo diz, Astrolábio passou 40 anos de sua vida em uma instituição financeira e, no tempo livre, se dedicava a projetos de educação. Quando se aposentou, sentiu a necessidade de continuar estudando. Aprovado na Unit/AL, hoje usa essa experiência universitária para se conectar mais aos netos.

“Ter neto é uma coisa muito legal, interagir com eles e prepará-los para o futuro dando um direcionamento onde a educação é parte integrante do processo e de fundamental importância. É na educação que está a vitória humana, só ela faz a transformação e permite que você esteja sempre atualizado e em condição de enfrentar os desafios que se apresentam”, conta o vovô universitário.

É este sentimento de manter-se aprendendo e aberto a novas atividades que faz todo o diferencial para um envelhecimento ativo, destaca Flávia Melro. “A pessoa pode se dedicar a hobbies, como costurar, cozinhar, leitura, participar de grupos sociais ou na igreja. É importante não parar, se for um adulto ativo, ou estar disposto a recomeçar”, incentiva.

E para quem ficou curioso sobre o Projeto Telelongevidade, ela deixa o convite. “Aos idosos ou familiares interessados em conhecer o Telelongevidade, onde nossos alunos conversam e fazem atividades semanais com os participantes, temos o perfil no Instagram @telelongevidade, onde apresentamos algumas das atividades realizadas e com a ficha de inscrição no link da bio. Sintam-se à vontade para conferir, o importante é não ficar parado!”, convida a professora.

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