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O maestro das multidões

Por Arnaldo Niskier

Dois homens genuinamente de imprensa inspiraram o maestro Isaac Karabtchevsky a programar eventos de grande sucesso de público. Primeiro foi Adolpho Bloch, que sugeriu a realização da “1812”, de Tchaikovsky, no Aterro do Flamengo. Inédito o que se viu, com aplausos entusiásticos de mais de 10 mil pessoas. Depois foi Roberto Marinho, que criou o seu famoso projeto “Aquarius”, na Quinta da Boa Vista, com a orquestra Sinfônica Brasileira, e públicos imensos, ao ar livre. Espetáculos inesquecíveis.

                    A entrevista com Isaac Karabtchevsky, no programa “Identidade Brasil” (Canal Futura), foi o pretexto para recordar esses fatos, com uma saudade imensa. Era um tempo de enorme e merecida valorização da música clássica em nosso país.

                   Hoje, ao lado da esposa Maria Helena, Isaac relembra as glórias passadas na Europa. Foram 25 anos entre Áustria, Itália e França, dirigindo óperas como “Boris Godunov” e “Tristão e Isolda”. Recebeu neste  último país o título de “Chevalier des Arts et des Lettres”.

                  Por 26 anos dirigiu a Orquestra Sinfônica Brasileira. Foi diretor da Orquestra Sinfônica de São Paulo e da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, além de ter sido maestro titular da orquestra Petrobras Sinfônica, criada pelo saudoso maestro Armando Prazeres, tragicamente desaparecido, e da Orquestra Sinfônica de Heliópolis, em São Paulo, na qual trabalhou com 1.500 estudantes oriundos de diversas comunidades. Fala dessa atividade com muito orgulho, pois teve repercussão internacional: “Nunca poderia imaginar, a partir do início como regente do famoso Madrigal  Renascentista”, em Belo Horizonte, que fosse chegar tão longe.”

                     Com um sentimento de pura nostalgia, o maestro relembra os belos espetáculos que marcaram o Teatro Adolpho Bloch, no Russel: “Adolpho era um grande empresário, dotado de imensa e saudável coragem, além de ter marcado a arena artística do Rio de Janeiro, por grandes iniciativas culturais. Tenho muita saudade dele, pelo seu jeito meio russo, meio carioca.”

                      Karabtchevsky descansa enquanto se prepara para novos desafios: “Estou aqui no Vale das Videiras, Petrópolis, mas tenho fé em Deus que logo a pandemia regredirá. E vamos voltar com toda força a trabalhar pela nossa música.” Ainda há muito o que fazer.

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