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Mulheres da Ufal: à frente de uma pandemia por muitos propósitos

Por Assessoria

Milhões de pessoas vestiram máscaras e encararam nos hospitais a linha de frente de combate ao novo coronavírus. Mas muitas outras linhas de enfrentamento à pandemia se formaram. E as mulheres, mais uma vez, se destacaram com força, sabedoria e acolhimento. Elas ficaram atrás de máscaras e telas, mas sempre estiveram à frente de um olhar para o outro, para suas casas, famílias e para as perspectivas de como poderiam mudar o cenário de sofrimento.

As mulheres da Ufal protagonizaram diversas histórias de solidariedade usando seus conhecimentos científicos para contribuir com temas importantes que ajudaram a sociedade de maneira geral ou para um público específico. O cuidado com os idosos, população mais atingida pelo vírus Sars-CoV-2, foi amplificado no Grupo de Pesquisa Multiprofissional sobre Idosos (GPMI), liderado pela professora Elizabeth Moura, da Escola de Enfermagem. A equipe formada por 12 mulheres, entre professoras e alunas, manteve os encontros semanais e promoveu bem-estar aos participantes por meio do projeto EnvelheSer Ativo, mesmo por mediação do computador.

“As atividades desenvolvidas têm trazido muita alegria para as pessoas idosas, que esperam chegar a terça-feira para ver um novo vídeo, e também, muito aprendizado para nós, participantes do GPMI”, lembra Elizabeth, sobre o carinho recíproco. Ela conta que compartilhou conteúdos relacionados à importância de lavar as mãos, a prática de atividades físicas diária, os cuidados com a alimentação, as questões psicológicas, e os direitos da pessoa idosa.  O Grupo também está desenvolvendo uma pesquisa por aplicativo para saber como o isolamento social afetou a vida deles. O resultado será encaminhado para publicação, para que a perspectiva dessa população fique registrada e cientificamente validada.

Outra pesquisadora, Mércia Pimentel, do curso de Jornalismo, pensou além dos idosos que estão sobrevivendo à pandemia. Ela ficou na linha de frente do afeto num trabalho que respeitou, acima de tudo, a memória das pessoas que morreram por consequência da covid-19.

“Partindo do entendimento de que as vítimas não são números, mas têm nomes e singularidades, a proposta se apresenta como uma extensão local do Memorial Inumeráveis, uma plataforma nacional criada para contar as histórias desses sujeitos, assim como dar voz aos seus familiares”, destaca Mércia. O projeto produziu tributos materializados em texto, áudio e vídeo, que funciona como um Banco de Fontes com nomes e datas de óbito, além de 44 narrativas contadas a partir de depoimentos dos familiares.

Trabalhar para humanizar os relatos de morte noticiados pela imprensa, lidando diariamente com lutos de diferentes famílias foi mais um dos desafios enfrentados por Mércia, que é professora, mãe e exerce inúmeras outras atribuições que a mulher assume. “São muitos os desafios para a pesquisadora, sobretudo neste contexto de pandemia, tendo que desempenhar múltiplos papéis, dentre eles o materno”, ressalta. “A rotina de trabalho requer que tenhamos muita disciplina, organização e uma rede de apoio para cumprir nosso planejamento e poder dar respostas à sociedade”, diz, enaltecendo que com incentivo e valorização é possível ter mais retornos positivos.

Valor, zelo e proteção

É justamente sobre valorização a luta da data 8 de março, lembrada pelo Dia Internacional da Mulher.  Na linha de frente das decisões da Ufal, a vice-reitora Eliane Cavalcanti representa a bravura e a firmeza da mulher. “Lutamos cotidianamente por melhorias na educação, na saúde, por direitos e deveres também. Lutamos como mãe, como filha, companheira. Somos fortes, ativas, prudentes, guerreiras e, acima de tudo, temos em nosso coração um amor maternal. Estamos vivendo uma pandemia que foge todas as regras e que nos coloca numa excepcionalidade, onde temos a força, a bravura, a coragem e o sentimento de uma mulher”, sintetiza.

Apesar de fortes, as mulheres da Ufal também choraram em silêncio. E lideraram a linha de frente da união. Elas costuraram para salvar. O projeto ETA Solidária: costurando proteção, coordenado por Lily Menezes e Bruna Marques ‘reuniu a distância’ sete bolsistas e 11 voluntários, todos em suas casas, para confeccionar máscaras, capotes cirúrgicos e lençóis para doação ao HU e outras instituições de saúde e apoio às mulheres e indígenas.

O tamanho da solidariedade aumentou proporcionalmente à urgência. A previsão de produzir cinco mil Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) foi superada e o trabalho em equipe resultou em mais de 14 mil EPIs para 30 instituições alagoanas.

 “O projeto extrapolou a meta de produção e alcance e ressaltou o compromisso social que a universidade desempenha com a sociedade, levando para além dos muros da instituição seus saberes no sentido de amenizar esse momento avassalador que estamos vivenciando”, disse Lily.

Confiança na ciência da mulher

Para todo momento de dor é preciso um afago. E a rigidez característica da comunidade científica muitas vezes é rompida pela leveza do trabalho feminino. Muitos nomes despontaram na linha de frente da ciência com pesquisa, informação clara, e experimentos.  No meio de muitas incertezas da pandemia, as mulheres da Ufal ofereceram um apoio para confiar.

Álcool 70%, em gel ou líquido, foi promovido a indispensável junto com arroz e feijão. Mas o uso excessivo desse e outros produtos saneantes geraram dúvidas rotineiramente esclarecidas por Aline Fidelis, coordenadora do Centro de Informações Toxicológicas da Ufal (Citox). O consumo de medicamentos sem orientações também foi muito debatido nas ações on-line, em lives de associações científicas, instituições de ensino e nas mídias diversas.

“Foram discussões promissoras e nós conseguimos interagir com a população, de forma on-line pelo @citoxufal, e fazer refletir sobre o uso de fármacos, sem comprovação científica, para tal finalidade. Considerando que os medicamentos ocupam o primeiro lugar no ranking das intoxicações exógenas no Brasil, esse foi um ciclo de informações muito importante no sentido da educação e promoção da saúde das pessoas”, aponta Fidelis.

Tornar acessíveis os estudos científicos que debatem o assunto de maior interesse da população mundial é a missão do grupo comandado pela professora Eliane Campesatto, do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde (ICBS) da Ufal.

A cada artigo publicado em revista científica, o grupo acessa o trabalho, interpreta e divulga em linguagem que possa ser entendida pela sociedade. Qual a prevenção, a cura, a vacina, o que é sintoma e como não pirar diante de tantas informações com nomes em itálico e siglas desconhecidas? Campesatto e seu time de pesquisadores caíram em campo para decifrar.

Lá do agreste alagoano, outra mulher da instituição deu uma colaboração valiosa. A participação da Ufal no estudo epidemiológico com o maior número de indivíduos testados do mundo para o coronavírus foi por meio da professora Karol Fireman, do curso de Enfermagem de Arapiraca. Ela contribuiu em todas as fases da pesquisa que mapeou a epidemiologia da doença no país e mostrou resultados para questões como proporção da população com anticorpos e velocidade de expansão do vírus.

Também foi preciso combater a rapidez com que as notícias falsas se espalhavam, e o projeto de pesquisa Analisa- Laboratório de Análise Discursiva de Fake News, coordenado pela professora Mércia Pimentel, refletiu, junto à equipe integrante, sobre “o processo de elaboração e disseminação de informações falsas, bem como o funcionamento discursivo dos textos, tentando compreender os sentidos reproduzidos”.

De olho nas movimentações políticas relacionadas à covid-19 reforçando a linha de frente da confiabilidade, a professora Luciana Santana, do Instituto de Ciências Sociais (ICS) articulou uma rede nacional com 55 pesquisadores para acompanhar de perto como os governos responderiam às demandas para o enfrentamento da pandemia. Os textos de análises foram publicados e apresentados em diversos meios de discussão, além de resultarem num E-book e um projeto aprovado de iniciação científica. Luciana, junto com Camila Ribeiro e relatores voluntários, estão responsáveis pelos pareceres do Comitê de Ética em pesquisa da Ufal, onde, a maioria, é de projetos relacionados à covid-19.

“Em que pese todas as dificuldades impostas pela pandemia, a Universidade tem dado sua parcela de contribuição para enfrentar a covid-19 e seus impactos. Aproveito para parabenizar a todos os pesquisadores, especialmente às mulheres, que têm se desdobrado em múltiplas atividades para apresentar respostas importantes para a sociedade”, enaltece.

A importância dessas mulheres pesquisadoras para garantir um equilíbrio no número de cientistas é um debate que a Ufal pretende evoluir. Dos 1.725 docentes permanentes ativos, apenas 45% são mulheres. E dos pesquisadores com bolsa produtividade PQ, as mulheres representam 27% do total.

“Se quisermos uma sociedade mais justa, temos que evoluir no pleno entendimento da equidade de gênero. Precisamos trazer o tema do gênero novamente para a pauta de discussão da Ufal, até porque este é um dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável [ODS] da ONU”, conclui o reitor Josealdo Tonholo.

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