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Populista e moderado se enfrentam na Polônia

Com máscaras, distanciamento social e usando canetas trazidas de casa, milhões de poloneses foram às urnas neste domingo, 12, para decidir se concedem um novo mandato ao presidente conservador Andrzej Duda, o ultranacionalista apoiado pelos conservadores no poder, ou dão uma chance a Rafal Trzaskowski, prefeito liberal de Varsóvia, candidato pelo partido centrista. A disputa é vista por analistas como a mais importante dos últimos 30 anos e terá impactos no futuro da União Europeia (UE).

Duda declarou-se ontem vitorioso, mas seu rival Trzaskowski recusou-se a aceitar a derrota. O resultado, a ser anunciado nesta segunda, 13, mostrava-se muito apertado, segundo as pesquisas de boca de urna, com os dois candidatos praticamente empatados: Duda na liderança por menos de um ponto porcentual, com 50,4% ante 49,6% – dentro da margem de erro de dois pontos porcentuais.

O ultranacionalista, apoiado pelo Partido Lei e Justiça (PiS), está no poder desde 2015 e promoveu reformas controvertidas na Justiça com o argumento de combate à corrupção – para a oposição, foram atos para cercear as liberdades e aparelhar o Estado. Também vem reforçando uma retórica contra os homossexuais, contra a integração do continente europeu e pela manutenção dos “valores da família”.

Apesar de Duda ser o presidente, figura importante na política porque tem o poder de vetar leis, o PiS é controlado por Jaros?aw Kaczynski, o nome mais forte na política polonesa. Ele é irmão do ex-presidente Lech Kaczynski, que morreu em um acidente aéreo em 2010.

“Se Duda perder a presidência, será o primeiro passo para a queda do PiS do poder”, diz Martin Mycielski, diretor de relações públicas da Open Dialogue Foundation na Polônia. No ano passado, o partido já perdeu a maioria no Senado.

Do lado adversário, o prefeito Rafal Trzaskowski, da Plataforma Cívica, que governou o país de 2007 a 2015, quer oferecer uma alternativa progressista para acabar com o que qualifica como isolamento da Polônia após cinco anos de disputas com a UE. Ex-ministro de Estado, ele promete abraçar os programas de bem-estar social do PiS, mas quer dar fim à divisão política no país.

Caso Duda vença, há riscos de uma saída do país da UE, mesmo com o país apoiando o plano de recuperação econômica do bloco pós-pandemia. O pesquisador Adam Traczyk, especializado em Europa Central e Leste Europeu no Robert Bosch Center, vê aí um paradoxo. “O governo apoia os planos mais recentes para estabelecer um fundo de recuperação financiado por uma dívida comum, o que pode ser um passo histórico no aprofundamento da integração europeia”, afirmou.

2 perguntas para Martin Mycielski, Diretor da Open Dialogue Foundation

1. Que mecanismos o governo de Duda e do PiS usaram para enfraquecer a oposição e perseguir opositores?
Muitos. Eles praticamente aboliram um Judiciário independente. Depois, há também a mídia estatal, que se tornou nada mais que propaganda. O nível de manipulação é comparável, às vezes até mais alto, do que nos tempos do comunismo no país.

2. Os nacionalistas usam o coronavírus para minar a democracia?
É a mesma tática que Viktor Orbán (primeiro-ministro) adotou na Hungria. O governo usa a pandemia como cortina de fumaça para promover violações de direitos.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Autor: Paulo Beraldo
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