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Invioláveis convicções

A separação dos Poderes consiste basicamente na forma clássica de expressar a necessidade de distribuir e controlar o exercício do Poder político entre distintos órgãos do Estado. O filósofo iluminista Montesquieu, afirma que tudo estaria perdido se o mesmo homem exercesse o poder de fazer as leis, executá-las e julgar. Afinal, diante da concentração de poder, não haveria liberdade política e estaríamos diante da arbitrariedade e da opressão por parte dos que ocupam as funções estatais.

É a liberdade política que garante direitos, conquistas e permite que a diversidade de ideias promova mudanças. O meu partido, o PMDB, sempre foi um defensor atuante dessa liberdade. Fez sua história abrigando correntes ideológicas díspares e sempre conviveu pacificamente com as diferenças, fossem elas regionais, políticas ou religiosas. Essa diversidade tornou o PMDB a maior agremiação partidária do Brasil.

Nos últimos meses, entretanto, a chegada de um dos nossos quadros à presidência da República, fez com que o partido passasse a ser tratado como um departamento do Poder Executivo. A legenda que sempre conviveu bem com as diferenças, passou a encarar com dificuldade qualquer ideia ou posição política que divirja dos interesses do Executivo.

Ignorando os princípios de independência e do respeito às prerrogativas de cada agente político ou instituição, os objetivos do governo se misturaram aos do partido. No Senado, especificamente, foram constrangidos todos aqueles peemedebistas que levantaram a voz para apontar as decisões erráticas do Planalto.

Foi nesse contexto que decidi deixar a liderança do partido no Senado. Não consigo conviver bem com imposições ou pressões que tentem aniquilar minhas convicções pessoais e políticas, sob o argumento de que pertenço a determinada legenda ou que lidero uma bancada partidariamente ligada ao chefe do Executivo.

Para defender o que penso, deixei a função de líder e continuarei na defesa dos brasileiros. Seguirei a cartilha da linha programática do PMDB, que reconhece a importância de uma atividade que enlace o partido às bases sociais e declara o desejo de representar os trabalhadores. Farei isso certo de que o caminho para debelar a maior crise da história do nosso país está justamente na diversidade de ideias e no respeito aos Poderes, aos partidos e aos indivíduos.

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