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Ator, diretor e escritor alagoano é destaque no cenário artístico nacional

Por Lucianna Araújo
Oscar Calixto: ator, diretor e escritor alagoano (Foto: Arquivo Pessoal)

Oscar Calixto: ator, diretor e escritor alagoano (Foto: Arquivo Pessoal)

 

Mesmo que muita gente não saiba, Palmeira dos Índios costuma produzir bons frutos em sua terra, principalmente àqueles relacionados às artes, seja na música, na literatura, na teledramaturgia, no cinema ou no teatro.
Um desses frutos é o escritor, ator e diretor Oscar Calixto, que começou a se interessar pelas artes, ainda pequeno, quando o avô Matias, escritor e desenhista, o escolhia para ser o ‘ouvinte’ das estórias que escrevia.
“Eu convivi muito com ele. Meu avô era multifacetado. Escrevia contos, poesias, romances e eu ia absorvendo tudo aquilo. Inclusive, a nossa família luta, agora, para conseguir publicar um livro dele. Tentei outra profissão, fiz faculdade e fui contabilista na área fiscal, quando morei em Minas Gerais, mas não estava feliz. E foi o amor pelas minhas raízes, e a paixão pela arte, que me fizeram acreditar que eu tinha que fazer o que realmente gostava. E assim, tudo começou. Só não consegui desenhar. Isso ficou com o meu avô”, explicou o artista.
Em Minas Gerais, Oscar entrou para o grupo Divulgação e encaminhou a vida para as artes. Quando tudo ia bem, um grave problema de saúde o afastou dos palcos e a carreira de ator parecia ter chegado ao fim. Mas apenas parecia. “Quase morri e tive que fazer um tratamento de câncer, no Rio de Janeiro, durante cinco anos. E algumas ‘coincidências’ aconteceram. Quando o tratamento chegou ao fim, tive a oportunidade de fazer um espetáculo e não voltei mais para Minas. Fiquei no Rio e conheci a atriz e bailarina Adriana Bandeira, quando atuamos juntos em ‘A História de um Soldado’, de Stravinski. Casei com ela e por aqui vamos tocando os nossos projetos, seja atuando, ou nos trabalhos realizados pela nossa produtora”, afirmou.
Mas não é só o avô materno de Oscar Calixto que tem múltiplas características e talento. Oscar se destaca, com visíveis habilidades, no mundo do teatro, do cinema, da teledramaturgia e da literatura.

Teatro

Hoje, Oscar Calixto está no teatro com a peça ‘Palavra de Mulher, em cartaz no Teatro Cândido Mendes, no bairro de Ipanema, no Rio. “Fui convidado para escrever e dirigir a peça, e acabei trazendo a Adriana para a assistência de direção e para fazer a coreografia. Nós também nos entendemos muito bem, profissionalmente. Ela tem uma linguagem própria, que se insere em qualquer obra. Estamos nos divertindo muito com esse trabalho”, afirmou o diretor.

Cinema

Para um futuro próximo, ele também foi convidado para atuar em um filme do diretor Bruno Azevedo, com a participação de Paulo Goulart Filho, que conta a história de Lampião. “Estou muito feliz porque o filme vai contar a história de um nordestino que se cruza, um pouco, com a da minha família, em Alagoas. Meu pai sempre costuma falar sobre as histórias de Lampião. O convite para participar do filme veio em um momento muito especial. Além do Brasil, também participei de filmes em Honduras e Buenos Aires, e agora estou em fase de negociação para participar de um longa-metragem em Portugal. E dessa maneira, as coisas vão acontecendo”, ressaltou o ator.

Literatura

Oscar possui em seu curriculum três publicações. A última foi ‘O corpo marcado de giz’, seu primeiro romance. “Entro com muita humildade na literatura. Ao lado do lugar onde sento, para escrever, tem livros de Dostoiévski, de Tolstói, entre outros, na estante. E peço licença para escrever (risos) porque é muito difícil comunicar algo no instante em que o leitor acompanha a obra. Neste romance, destaco a amizade. Tenho muitos amigos e por perceber a importância da amizade, resolvi tratar sobre o tema. Não só das flores, mas do espinho. Do amor fraternal e passional, da confiança e da desconfiança. O livro conta a história de um médico não muito comum. Ele faz as cirurgias ouvindo músicas clássicas. Na verdade, é um médico com alma de artista, que tem muitos amigos, alguns com hábitos estranhos. Ele busca algo que falta dentro de si, com o viés da amizade. No livro, ele lê também lê um livro. É uma metalinguagem, um livro dentro de outro. O leitor acompanha a história do médico, e a do livro que ele está lendo. As duas histórias se completam”, definiu o escritor.

Dificuldades

De acordo com Oscar, para realizar qualquer coisa no círculo artístico, é necessário investimento. Para ele, este é o fator mais complicado. “Principalmente na formação e informação de novos artistas. As pessoas, a nova classe, estão chegando menos abertas e informadas. A luta da classe artística é grande. As pessoas não entendem que cultura também é educação, como se vê em países da Europa. A verba destinada para a cultura ainda é insuficiente. Claro que avançamos, a partir da Lei Rouanet, mas ainda é um paliativo. A Lei tem um lado positivo, pois o governo permite que as empresas que patrocinem a arte tenham dedução fiscal. Mas isso não é suficiente. Temos dificuldade em captar recursos. A saída é que os nossos governantes comecem a enxergar a cultura como parte da educação. A vontade e a paixão de viver as coisas, de colocar um espelho para a sociedade, no palco, é o que não nos deixa desistir. A minha vida é doar, é estar a serviço do outro, por meio da arte. E o meu sonho é levar um pouco disso, do noss o produto, para a minha terra. Espero, um dia, atuar em Alagoas”, finalizou.

Conheça um pouco mais da história de Oscar Calixto

Oscar Calixto iniciou sua carreira na cidade de Juiz de Fora, Minas Gerais, onde fez diversos trabalhos. Foi lá que teve a oportunidade de fazer cinema pela primeira vez. O filme foi A Fuga, dirigido por Léo Niecklevicz. Em 2003, recebeu sete prêmios de melhor dramaturgia com a peça “Minha Vida na Lembrança”.
Em 2006 foi selecionado no XIX Concurso Internacional de Literatura de Outono das Edições AG.3 Em 2007 obteve o título de “Cavaleiro Dragão” (Cavaleiro de Dragões), no Concurso Internacional de Poesia José Lins do Rego, concorrendo com poetas de 25 países, e com mais de 6.600 outras poesias, obteve o 7º lugar na competição.
Já transitou pelas mais diversas áreas das artes cênicas. Em 2001/2002 obteve destaque ao receber o prêmio de melhor ator no Festival Internacional de Teatro de Ouro Preto, com o espetáculo Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto, sob a direção de Antonini Bortello.
Formado pela Casa de Arte das Laranjeiras (CAL), segue atuante também nos campos da dramaturgia e direção teatral. Como diretor, foi responsável pela montagem de quatro outros espetáculos teatrais.
No cinema, participou como ator de algumas produções internacionais, dentre elas, “Proyecto 150”, uma produção argentina do diretor Frandu Almeida e Poliamore (Poliamor) Groovy Filmes, produção México, Brasil, Argentina, do diretor Rodrigo Rueda.
Em 2010, foi responsável pela montagem do espetáculo 3 em 1: Anjos, Uma Espécie de Razão Não Comentada, unindo teatro, artes plásticas e literatura, numa integração Cultural entre Brasil e Argentina, junto a Cia Boca em Cena; integrou o elenco de A História do Soldado, de Stravinsky e Charles-Ferdinand Ramuz, com direção de Luiz Duarte, foi indicado ao prêmio de melhor ator no Festival Internacional de Cinema de São Paulo, e compôs o elenco do longa metragem O Abajour, com direção de Marcoz Gomez.
Em 2011 foi empossado como Membro Correspondente da APALCA – Academia Palmeirense de Letras, Ciências e Artes. A lisonja advém da publicação do livro Sobre Homens e Abismos, editado em 2008.
Radicado no Rio de Janeiro, atualmente trabalha escrevendo, atuando, dirigindo e produzindo textos de sua própria autoria. Maior parte dos projetos são realizados, atualmente, pela B&C Produções Artísticas com quem mantém parceria para produção de seus projetos. (Fonte: Biografia)

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