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As lições de Harari

Por Arnaldo Niskier

Para uma platéia entusiasmada de duas mil pessoas, o historiador israelense Yuval Noah Harari falou durante quase duas horas, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, arrancando demorados aplausos. Abordou suas experiências acadêmicas com o trato dos algoritmos modernos, passou pela educação (citando o exemplo da China) e chegou à importância da meditação, segundo ele uma ferramenta que serve para observar a mente de forma direta, um instrumento precioso para enfrentarmos as mudanças contínuas da humanidade.”

“A meditação nunca entrou em conflito com a pesquisa científica. Não se deve confundir a mente com o cérebro, pois são coisas muito distintas. O cérebro é uma rede material feita de neurônios, sinapses e substâncias bioquímicas. Já a mente é um fluxo de experiências subjetivas, como a dor, o prazer, a raiva e o amor. A clareza do autoconhecimento é essencial para o controle efetivo da própria vida, numa era em que a maioria das decisões sobre nós será tomada por algoritmos” – disse o cientista, autor do livro “21 lições para o século 21”. O evento carioca foi promovido pelo Projeto Ler, com o apoio, entre outras instituições, das Secretarias de Estado e Municipal de Educação do Rio de Janeiro, além do SESC.

Harari ganhou notoriedade internacional ao trazer à tona reflexões mais aprofundadas sobre os problemas enfrentados pelas quebras de paradigmas da contemporaneidade. Voltando dois milhões de anos no tempo, o historiador sabra explicou que, no início, o ser humano se agrupava em torno de pouquíssimas pessoas, evoluindo, em seguida, para tribos e aldeias, onde todos se conheciam, só chegando ao surgimento das primeiras nações há cerca de cinco mil anos. Neste sentido, o conceito de “nacionalismo” se tornou necessário. Alertou sobre a relevância de debatermos as características da cidadania globalizada,  balanceando os interesses nacionais com as regras globais. Só assim seremos capazes de impedir as forças destrutivas que ameaçam o planeta. No final, afirmou que não se pode adivinhar como será o ano de 2050: “Só tenho uma certeza: 50 pessoas juntas valem mais do que 500 separadas”. Fez, ainda, um alerta à plateia atenta: “Devemos compreender a nossa mente antes que os algoritmos assumam a tarefa por nós.” Tem toda razão.

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