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Grupos políticos disputam eleição de direção de Hospital em Palmeira

Por Redação

Hospital Regional Santa Rita

No próximo dia 19 de junho, o Hospital Santa Rita irá eleger seu novo provedor. O pleito tem eleitores restritos – chamados de mordomos – em que pese a instituição ser sustentada praticamente por recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) que são repassados pela prefeitura de Palmeira dos Índios via governo Federal.

Mensalmente, mais de R$1,5 milhão (um milhão e meio de Reais) são repassados ao Hospital Santa Rita que hoje se constitui no maior empregador privado do Município com 500 funcionários, suplantando a Valedourado – única indústria local – que se encontra em recuperação judicial.

A eleição se dá a cada dois anos e coincidentemente sempre cai às vésperas do período eleitoral municipal onde se elege prefeito e vereadores. Como é público e notório a maioria dos mordomos (eleitores) tem vinculação ou interesse político no município e são escolhidos hereditariamente na associação, o que causa uma contradição legal, tendo em vista ser a instituição financiada pelo Poder Público e não ter participação popular, nem de seu quadro de funcionários em sua formação e diretoria.

Pedro Gaia, provedor licenciado quer manter grupo no Poder com apoio de Arthur Lira

O atual provedor Pedro Gaia (mas que se encontra licenciado), médico ortopedista é pai de um vereador – Pedrinho Gaia (MDB) que é candidato a reeleição em 2020. Pedro Gaia, pai, quer que seu grupo permaneça na provedoria do Hospital por mais um período e conta com o apoio do prefeito Júlio Cezar (PSB) e do deputado-federal Arthur Lira que tem grande interesse no resultado da eleição, pois lhe favorece politicamente na região. O grupo que gerencia atualmente o hospital ainda não definiu o nome para se candidatar ao próximo biênio.

 

Sebastião Lessa seria o nome da oposição com apoio de Marx Beltrão

O outro nome que surge nos bastidores e para a disputa é do médico-cirurgião Sebastião Lessa, ex-provedor da instituição e pai do atual Secretário de Estado de Assistência Social João Lessa.

Bastinho, como é conhecido – contaria com o apoio do deputado-federal Marx Beltrão que indicou seu filho para a SEADES e da deputada Ângela Garrote, que hoje é oposição no Município e tem simpatia pelo nome do cirurgião.

Com essas cartas postas na mesa, a eleição deverá ser duríssima e com tendência para ser decidida na última cédula de votação.

Porém, desta vez, a população está de olho firme e atento, porque os serviços de saúde em Palmeira dos Índios não estão a contento, principalmente o atendimento no hospital, que conta com boa estrutura – mas a população vem sofrendo com o mal atendimento conforme relatos expostos nas redes sociais. Outro fato alarmante são os recursos destinados aos equipamentos de saúde de Palmeira dos Índios estão sendo mal aplicados que colabora com o agravamento do setor no município.

Mais consciente do papel que o hospital deve jogar na sociedade palmeirense, os protestos se multiplicam nas redes sociais contra a cobrança para entrar no hospital e rechaça o prefeito Julio Cezar por ter prometido em sua campanha de 2016 que iria abrir as portas do hospital para a população sem que esse tivesse que pagar alguma coisa para entrar ou sair.

Julio Cezar diz que vai resolver a promessa ainda não cumprida

Durante dois anos e meio de mandato o prefeito Julio Cezar ainda não conseguiu cumprir sua promessa em face da pressão política dos que dirigem o hospital palmeirense, que nos últimos anos arrecadou mensalmente dezenas de milhões de Reais dos cofres públicos palmeirenses, além de outros milhões de Emendas parlamentares, a exemplo do deputado Paulão que sozinho disponibilizou no último mandato mais de R$6 milhões para a instituição.

Em que pese persistir a cobrança de R$90 para consultas realizadas para quem não tem convênio médico, e mais algumas despesas a serem pagas na hora do atendimento se precisar de medicamentos ou injeções, por exemplo – isso não afasta o usuário mais pobre que se sacrifica financeiramente para ser atendido no hospital ao invés de ter que enfrentar a assustadora Unidade de Pronto Atendimento (UPA), local de relatos tenebrosos de mal atendimento.

Porém, o sacrifício popular cai nas costas do prefeito que prometeu e até agora não conseguiu cumprir a promessa da gratuidade no hospital. E meios existem para realizar. Ele é consciente disso.

O controle do Hospital Santa Rita é valioso para a classe política em tempos de eleição municipal porque se constitui no único espaço médico que atende a população da região com alguns especialistas. A UPA só atende com médicos generalistas.

E isso vem ocorrendo há décadas, quando essa casta que dirige a entidade privada com recursos públicos (que contradição!) mantém a mão de ferro a estrutura de barganha em sua mão para manter privilégios e poder perante a classe mais carente.

O poderio eleitoral do Hospital Santa Rita é divisor de águas na eleição municipal, em razão dos “jeitinhos” sempre oferecidos para quem necessita de atendimento hospitalar. E isso conquista votos.

E isso, os que estão no poder, não querem mudar!

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