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Dados, monitoramento em vídeo e privacidade no mundo vigiado

Por Assessoria

Novidade até pouco tempo atrás, hoje as câmeras de vigilância e monitoramento já fazem parte da paisagem das principais cidades brasileiras. Seja para controlar o trânsito de veículos ou auxiliar no combate à criminalidade, sua utilização é imprescindível para o poder público manter a rotina dos cidadãos. Entretanto, a popularização deste recurso fez emergir na sociedade a discussão sobre a privacidade das pessoas e a gravação de imagens nos espaços públicos – e tende a se acentuar mais com a inclusão de tecnologias como Inteligência Artificial e Machine Learning no setor.

O avanço tecnológico dos últimos anos impulsionou os recursos das câmeras de vídeo e permitiu que novos serviços pudessem ser integrados em um mesmo equipamento. Isso explica, por exemplo, porque o mercado de câmeras de vigilância deve aumentar seu faturamento de US$ 18,3 bilhões em 2017 para uma estimativa de US$ 43,8 bilhões em 2025, com crescimento médio anual de 11,8%, segundo levantamento da Research And Markets. Esse desempenho é explicado pela capacidade das câmeras realizarem análises a partir das imagens – este segmento específico deve movimentar US$ 4 bilhões em 2023, segundo a ABI Research.

As câmeras de vídeo sempre foram reconhecidas como importantes ferramentas de monitoramento, mas seu uso era passivo. Ou seja, as informações que entregavam não valiam nada se não tivesse alguém para analisá-las e compreendê-las. Agora, a situação se inverteu. As câmeras são capazes de realizarem processamentos melhores do que os humanos e o conceito de Inteligência Artificial facilita a automação inteligente para lidar com um volume cada vez maior de dados e, principalmente, oferecer insights que auxiliam a tomada de decisão.

No dia a dia, isso implica dizer que os equipamentos de monitoramento possuem recursos de detecção de movimento e velocidade, identificação facial, classificação de objetos, mapeamento GPS e até revelação de intrusos em propriedades. Hoje, as câmeras são capazes de analisar com precisão as imagens gravadas e até mesmo ao vivo em tempo real com nenhuma intervenção humana. Assim, é possível visualizar atitudes suspeitas para facilitar o policiamento, identificar criminosos e até rastrear o paradeiro de carros ou mesmo pessoas desaparecidas.

A questão é que esses benefícios têm um custo. Se é possível identificar bandidos e rastrear, logo as ferramentas também reconhecem os rostos dos cidadãos comuns – e qualquer descuido pode fazer com que suas imagens sejam utilizadas de forma indevida. O direito à privacidade é inerente à democracia: a pessoa pode simplesmente não querer ser rastreada pela tecnologia. Essa é uma discussão que ganhou corpo nos últimos anos com o avanço da Internet. No Brasil, por exemplo, motivou a LGPD (Lei Geral de Proteção aos Dados) e que também traz implicações para as empresas de monitoramento por vídeo.

Com este dilema, o desafio de quem trabalha com vigilância e câmeras de segurança é justamente encontrar um meio-termo entre o direito à privacidade das pessoas e o necessário serviço prestado por estes recursos. Quando há uma sinergia entre sociedade, empresas e poder público em torno deste assunto, quem ganha é a cidade por estar protegida, segura e, principalmente, apta aos novos desafios que irão aparecer no futuro.

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