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Sem festa literária, Julio Cezar descumpre lei e cidade perde marco cultural

Por Redação

Julio Cezar descumpre lei e não realiza FLIPALMEIRA

A Lei Municipal que instituiu a “Feira Literária de Palmeira dos Índios” – um ano após ser aprovada na Câmara de Vereadores e sancionada pelo prefeito Júlio Cezar (PSB) “caiu em desuso” ou simplesmente foi ignorada pelo chefe da municipalidade.

Vigorando desde 2 de junho do ano passado, de autoria da vereadora Joelma Toledo (MDB), a festa que deveria se tornar o marco cultural da gestão do atual prefeito ficou apenas no evento inaugural. Prevista na lei n.º 2149/17 para ocorrer no mês de setembro, a cada ano – a feira literária foi adaptada no nome para “festa literária”, o termo mais apropriado – e proposta e lançada em outubro de 2017 como um marco festivo-cultural de uma gestão que intitulou a cidade como a “Capital da Cultura”, aproveitando o aniversário de Graciliano Ramos e a Semana Literária em sua homenagem.

Vereadora Joelma Toledo é a autora da lei que criou a Feira literária

Primeira festa

O primeiro evento – experimental – foi realizado modestamente dentro das possibilidades orçamentárias, mas considerado exitoso, tornando-se um prenúncio de que poderia se fixar no calendário de festividades como previa a lei. Porém no ano em que se deveria dar continuidade (2018) a prefeitura abdicou do dever de realizar (já que é uma lei municipal) e simplesmente não deu satisfação à sociedade civil que tem interesse no soerguimento da cultura no município. A Secretária de Cultura Isvânia Marques – frise-se – declarou não ter culpa pelo evento não ser realizado. E justificou que até tentou apoios fora da municipalidade para a realização da festa Literária, porém sem sucesso.

Culpa do gestor

Contudo sabe-se que a responsabilidade pela não realização da II FLIPALMEIRA (como foi batizada a feira literária) é do gestor maior, o prefeito Julio Cezar e sua equipe de planejamento que não fez o dever de casa, incluindo-a no orçamento e extrapolando em outras atividades consideradas por eles “culturais” como a apresentação na Emancipação Política do cantor de gosto duvidoso Deivinho Novaes que levou dos cofres públicos palmeirenses R$60 mil, mais do que se gastaria para realizar a FLIPALMEIRA e também do padre Caubói Alessandro Campos que só de cachê para se apresentar no Cenáculo Mariano em dezembro está levando em seu coldre mais R$120 mil, valores maiores do que cobram artistas nacionais como Fagner, Lulu Santos, Anitta, Tiaguinho e Claudia Leite, só para citar alguns exemplos.

O mais grave é que dentro da FLIPALMEIRA – um evento com maior abrangência está inserida a Semana dedicada à Graciliano Ramos, o romancista que na década de 20 foi prefeito do Município palmeirense.

Governo sem marca

Para um gestor que necessita firmar uma marca em sua administração, porque até o presente momento – mesmo após dois anos de governo – ainda patina em obras e ações da gestão anterior é um verdadeiro tiro no pé, “matar” em sua segunda edição o evento que poderia se tornar no símbolo cultural de Palmeira dos Índios e exportado para todo o Brasil devido à grandeza de um dos homenageados que se insere na festa literária, o escritor Graciliano Ramos.

Lamentável

O professor Cosme Rogério, um dos entusiastas do evento e conselheiro cultural local escreveu nas rede sociais lamentando que após o intervalo de um ano, a efeméride voltou a ser esquecida. “É falta de zelo com a cultura, por parte do Poder Público! Seria essa uma ótima oportunidade para se discutir o atual momento político brasileiro, à luz do drama da família de retirantes de “Vidas secas”, livro que completou 8 décadas de publicado neste ano, e à luz de “Memórias do cárcere”, testemunho de outro período dramático da história brasileira”.

O professor Cosme Rogério lamentou a não realização da festa literária

E continuou: “Essa é a semana em que tradicionalmente se faziam essas discussões na cidade. Movimentava-se a vida em torno disso. A última vez em que se realizou decentemente a Semana Graciliano Ramos foi na gestão Cordeiro (2001-2008). Nos 8 anos da gestão de James, tudo foi abandonado. No primeiro ano gestão de Julio Cezar, fez-se uma festa literária muito aquém do que se deveria… E neste ano zero!”.

O escritor Ivan Barros, membro da Academia Alagoana de Letras e um dos homenageados na primeira edição da FLIPALMEIRA (o outro foi o Mestre Graça) também lamentou a interrupção do evento. “Palmeira precisa resgatar suas tradições. A festa Literária de 2017 – mesmo que realizada modestamente – foi o primeiro passo para isso. Fiquei triste quando soube que não haveria a segunda edição e o pior é que não seu deu satisfação para a sociedade”. O curador da primeira festa literária de Palmeira dos Índios Carlito Lima – expert em realizações de evento do tipo (foi o precursor em Alagoas com a FLIMAR em Marechal Deodoro) costuma dizer que o Brasil tem muitos escritores, mas precisa formar muitos leitores. É uma pena que Julio Cezar, prefeito e jornalista não tenha entendido a mensagem que ele mesmo abraçou.  

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