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Dólar sobe 1,75% no dia e 4,32% na semana com cenário externo e eleitoral

O mercado de câmbio brasileiro não ficou imune à nova onda global de aversão ao risco e levou o dólar a uma alta expressiva nesta sexta-feira, 9, avançando no patamar dos R$ 3,80. A crise em torno da Turquia fez a lira derreter no mercado internacional, levando o dólar a se fortalecer globalmente. No Brasil, também pesaram as dúvidas quanto à corrida eleitoral, uma dia após o primeiro debate de presidenciáveis na TV, que foi considerado morno.

Nesse cenário de cautela e busca por proteção, o dólar negociado no Brasil terminou o dia em alta de 1,75%, cotado a R$ 3,8681 no mercado à vista. É a maior cotação desde 12 de julho. Os negócios somaram US$ 868,2 milhões. No acumulado da semana, houve alta de 4,32%, favorecida em grande parte pelo aumento do clima de especulação com o cenário político.

O aumento da crise financeira na Turquia se deu após o presidente Recep Tayyip Erdogan pedir à população para trocar dólares, euros e ouro por liras e afirmar que seu país não elevará os juros, reforçando os temores de interferência política no banco central. A decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de dobrar tarifas sobre aço e alumínio da Turquia contribuiu para piorar a crise cambial no país.

Mas o cenário internacional não foi o único fator de alta do dólar, disseram profissionais de câmbio consultados à tarde. O desempenho de Geraldo Alckmin (PSDB) no debate eleitoral promovido ontem pela TV Bandeirantes foi considerado “mais do mesmo”, sem mudança de posicionamento do tucano que o tornasse mais palatável ao público menos esclarecido. Pesquisas regionais encomendadas por empresas financeiras também continuam a mostrar Alckmin estagnado, enquanto o deputado Jair Bolsonaro (PSL) cresce.

“O mercado espera um candidato de perfil reformista e que tenha governabilidade. Alckmin é quem mais se aproxima disso, mas demonstra dificuldade na comunicação com o grande público”, disse Fernanda Consorte, estrategista de câmbio da Ourinvest. “O debate de ontem chancelou essa situação, com o candidato utilizando termos difíceis de atingir a população. Esse fato já seria suficiente para levar o dólar a uma alta hoje”, afirmou a profissional.

O operador da Advanced Corretora Alessandro Faganello concorda que o cenário político também teria justificado por si só uma alta do dólar nesta sexta-feira. E ele chama a atenção para a alta acumulada na semana, que teve forte componente político, com intensificação de rumores. Para ele, apesar da forte elevação, o mercado não espera a volta das intervenções do Banco Central por ora. “Embora o BC não indique patamares de piso e teto, as últimas atuações aconteceram com a cotação perto de R$ 3,95”, disse.

Autor: Paula Dias
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